Fábio Costa
Se faz necessário transpor a alma através das palavras.
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Espelho
 
Da imagem formada, pouco de mim sobrou.
Naquele espelho não era eu.
Não sou o instante. Sou um misto:
de passado, presente e futuro.
Sou tudo isso no agora da existência.

Por isso o reflexo não diz quem eu sou.
Nem eu mesmo me reconheço nele.
As vezes regrido, ora avanço...
mas sinto-me por inteiro
sujeito da minha própria história.

E se ela não fosse minha?
Não haveria então imagem no espelho.
Haveria sim um vão,
ocaso existencial sem prerrogativa válida.

Eu não sou o que o outro vê.
Não sou nem mesmo o que vejo.
Sou transcendental, humano, mortal.
Sou um apaixonado pelo desejo.

É ele que me move em minha própria direção.
Faz-me adentrar o perverso de minha alma.
Ali, no escuro próprio da dúvida
percebo que há mais luz do que trevas.

Lá no íntimo do meu ser,
percebo que sou imagem de Deus.
Moldado por Suas mãos sábias
não tenho outro modo de ser.

Sou imagem do bem.
Sou apenas eu.
Reflexo do alto.
Reprodução de ninguém.
Enviado por Fábio G Costa em 05/05/2015
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