Fábio Costa
Se faz necessário transpor a alma através das palavras.
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Não sei de mim


Não sei de mim.
Por que isto lhe assusta?
Abrir o vácuo da alma diante de suas certezas
Não deveria ser elemento emudecedor.

Não sei de mim
Como você não sabe de você mesmo.
Apenas brincamos de entender o delírio em que habitamos.
Falo sobre meus sobressaltos, você desvia o olhar.

Não sei de mim
E acredito não querer saber.
Perdi tempo demais querendo saber de você
Quando nem mesmo seu nome você sabia.

E a obsessão de checar sua identidade
Levou-me a compreender a frieza do mundo.
Olhando para você vejo a dúvida
Enquanto outros são enganados pelo seu poder.

Você levou-me a não saber de mim.
Foi questionando minha sanidade mental que descobri
Que para além de sua palavra, tão bela e impostada
Há uma mentira que permanece.

Não sei de mim foi a forma de encontrar-me.
Dúvida posta diante das certezas que você pregava.
Elas trouxeram-me respostas,
Enquanto sua avidez desconstruiu minha ingenuidade.

Não sei de mim e não tenho vergonha de dizer.
Pior é você que diz saber sem ao menos ser.
Desprezível é sua arrogância do alto do seu olhar superior.
Mas chegará a dúvida.

Ela será como faca afiada e desgovernada.
Será instrumento de dor a dilacerar sua alma.
Será o preço da certeza desregrada.
Será a porta para o seu dizer: "também não sei de mim".
 


Arte: Coração na mão
Artista: Duda Caldas
https://www.urbanarts.com.br/duda-caldas-3784/f
Pe Fábio Costa
Enviado por Pe Fábio Costa em 03/08/2018
Alterado em 03/08/2018
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