Fábio Costa
Se faz necessário transpor a alma através das palavras.
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Acostumado a ser
 
Partido em mil pedaços
Olhava o mundo com inteireza.
Vivendo o caos interior
Esbanjava vicissitudes por onde passava.
Recolhia o choro que insistia em se mostrar
Então, evidenciava a fortaleza feita de mentiras.
Acostumado a ser de outros
Julgava-se refletir as ideias que debatia.
Por instantes a vida era como poemas,
Métricas e rimas em plena evidência,
Mas esquecia-se que o papel, aceitava a tinta de modo irracional.
Não pensava no que vivia, ou se pensava, sua imagem denegria.
Apenas vivia a ilusão de dias sem fim.
Acostumado a ser de todos, não existia.
Por horas, fingia ser o que não se era,
Ou se era, não sabia o que lhe atingia.
Era tão acostumado a ser do jeito seu
Até perceber que o bico de pena não escrevia.
Deste instante foi-se o papel, a tinta, a vida...
Foi-se o poeta, que nem poema tinha.
 
Pe Fábio Costa
Enviado por Pe Fábio Costa em 26/07/2018


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