Fábio Costa
Se faz necessário transpor a alma através das palavras.
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O furo
 
Há coisas que deveriam ser guardadas no coração.
O prazer de um furo na meia, por exemplo.
Que mente sã vai entender o prazer que uma meia furada comporta?
Não as jogo fora. Tenho meias novas, mas prefiro as com um furinho.
Elas permitem uma liberdade interior. Só você sabe do estrago dentro do sapato.
Só você joga com o frio na barriga quando, inesperadamente, precisa retirar o calçado.
Só você pode escolher usar uma meia furada.
Mas se você decide partilhar sua mania com outros, percebe o quão sem sentido ela é.
Os outros darão risadas de sua cara.
Levantarão inúmeros questionamentos quanto ao seu gosto de vestir – só por causa do furo.
Teorias serão criadas para justificar o uso de meias novas.
Esqueça!
Todos eles também possuem manias. Todos eles escondem algo debaixo da vestimenta.
Todos eles gozam com o frio na barriga quando “quase são descobertos”.
Enfim, todos escondem um furo. Se não é na meia é na vida.
Ele está sempre lá.
Pronto a se revelar quando você menos espera.
Então, o melhor a fazer é escolher.
Saber que a meia está furada e não se importar caso peçam para tirar o sapato.
E quando outros olharem e descobrirem a sua meia furada – dê risada.
Mais vale saber que a escolha é sua em usar do que tentar camuflar a falta.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Quem tem meias furadas, que use!
 
Pe Fábio Costa
Enviado por Pe Fábio Costa em 14/11/2017
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