Fábio Costa
Se faz necessário transpor a alma através das palavras.
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Marionete

Eu, tão sensível e inteligente,
Deixei que me colocassem cordas.
Pensando ser parte do processo de criação
Percebi o erro quando não pude seguir livre direção.
 
Movia-me quando outros moviam.
Sentia-me incomodado com a rotina de movimentos.
Eram estranhos à minha essência...
Intuía-me livre, mas agora estava limitado.
 
E de repente me colocaram sobre a mesa
Tudo era tão óbvio e claro.
Estava ali a tesoura dos meus sonhos.
A mesma que me acompanhava pelas madrugadas.
 
E num insight de libertação,
olhei a tesoura em ação.
Cortava as amarras do meu passado.
E me vi, então, sem forças no assoalho.
 
Havia agora um passado e um presente.
Um alienado e um ser ausente
Necessitado das pulsões do mundo
Mergulhado na linguagem intransigente.
 
A tesoura cumpriu o seu papel.
Deixou-me a mercê das minhas escolhas.
Senti saudades do tempo que era guiado,
Mas não havia outro caminho, agora era eu, sozinho.
 
Iniciei os primeiros passos na liberdade
Foram dolorosos e sem nexos.
Mas quando senti o vento que livre seguia
Deduzi que também eu, por ali viajaria.
 
Às vezes sinto falta do manejo de um Outro...
Um dançar ao embalo do desejo alheio.
Mas hoje sei mesmo o que quero...
Encontrar tesouras e cortar cordas...
Andar livre, sem medo.
 
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Pós-escrito
 
Marionete é o alienado de lá.
Que não deseja a corda cortar.
Goza com a própria limitação.
É tolhido e sorri com a ilusão.
 
Olhe para cima e veja as amarras
Aquelas que não lhe deixam ir
Alcance a tesoura que repousa ao lado seu.
Golpeie o afeto enganador...
Ou seja marionete pela vida toda.
Corpo inerte, nas mãos do manipulador.
 
Pe Fábio Costa
Enviado por Pe Fábio Costa em 21/09/2017
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