Fábio Costa
Se faz necessário transpor a alma através das palavras.
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Casebre
 
Revisito minha história.
Entro no passado com facilidade.
Ele não dói, nem remói.
Apenas me constitui.
 
Sinto o peso do tempo.
O medo de repetir tudo de novo.
Essa visita refaz o trajeto.
Estou ainda em construção.
 
Mesmo sendo velho, enxergo
Que o caminho feito não é pleno.
O casebre exige reparo.
Foi-se desgastando com o tempo.
 
Paredes em pedaços,
Telhado a desmanchar.
Porta que não fecha mais.
Janela a colocar.
 
Parece ser perda de tempo
Refazer tal construção no sertão.
Mas é ali na aridez que se encontra
A base firme do coração.
 
Demolir o que não me cabe mais.
Ampliar o espaço interior.
Ainda é casebre, sim
Sem perder a dignidade do Criador.
 
E quando o cansaço tocar minh’alma
Olharei para o céu aguardando a chuva.
Ela lava o pó que o tempo acumulou
E amolece a terra que se faz barro.
 
E com o barro, produzo tijolos
Um a um – refaço o casebre.
O que era passado se atualiza,
Num presente esperançoso – alegre.

Photo by @escrevencias_inventosas
Pe Fábio Costa
Enviado por Pe Fábio Costa em 18/09/2017
Alterado em 18/09/2017
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